novembro 03, 2009

Foi um Momento

Foi um momento
O em que pousaste
Sobre o meu braço,
Num movimento
Mais de cansaço
Que pensamento,
A tua mão
E a retiraste.
Senti ou não ?

Não sei. Mas lembro
E sinto ainda
Qualquer memória
Fixa e corpórea
Onde pousaste
A mão que teve
Qualquer sentido
Incompreendido.
Mas tão de leve!...

Tudo isto é nada,
Mas numa estrada
Como é a vida
Há muita coisa incompreendida...

Sei eu se quando
A tua mão
Senti pousando
Sobre o meu braço,
E um pouco, um pouco,
No coração,
Não houve um ritmo
Novo no espaço?
Como se tu,
Sem o querer,
Em mim tocasses
Para dizer
Qualquer mistério,
Súbito e etéreo,
Que nem soubesses
Que tinha que ser
Assim a brisa
Nos ramos diz
Sem o saber
Uma imprecisa
Coisa feliz.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

outubro 31, 2009

Há pais assim...


Há alunos que, tendo iniciado as aulas em meados de Setembro, ainda não interiorizaram as normas de conduta mínimas exigidas para que as salas de aula sejam um espaço de aprendizagem agradável, quer para alunos quer para os professores.

Vai daí, um colega meu mandou um aluno seu escrever cinco vezes a regra que ele tinha infringido. Não está em causa o método, se correcto ou não. Está em causa o recado, da encarregada de educação e mãe, escrito na caderneta e dirigido ao meu colega. Entre outras coisas, que revelavam a indignação perante tal "castigo", acrescentava que o seu filho não estava numa ditadura.

- Pois não, comenta o meu colega connosco. Nem numa anarquia.

outubro 25, 2009

Gatos... sempre gatos...

Assim passam os dias, os meus gatos...
São uns felizes!



 

 

outubro 23, 2009

AMBIENTE





 Que significa o número 350?

350 é o número mais importante do mundo – é aquilo que os cientistas consideram ser o limite máximo de segurança para a concentração de dióxido de carbono na atmosfera.

ACÇÕES PERTO DE MIM
COMO PARTICIPAR

outubro 20, 2009

Si tú...

Si tú y yo, Teresa mía, nunca
nos hubiéramos visto,
nos hubiéramos muerto sin saberlo:
no habríamos vivido.

Tu sabes que morirse, vida mía,
pero tienes sentido
de que vives en mí, y viva aguardas
que a ti torne yo vivo.


Miguel de Unamuno

outubro 19, 2009

Fim de Verão

... e a Fúria do Açúcar


outubro 08, 2009

VIRTUALIDADES

EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA
SECOND LIFE - POTUCALIS - LARGO DAS FLORES
reViriato Merlin



ALEM_TEJO
MONSARAZ

Vila localizada na parte sudoeste de Portugal, a cerca de 50 km de Évora, conserva tradições ancestrais, e oferece a quem a visita novas opções de lazer.

Inserida numa das zonas mais áridas do Alentejo, a Vila beneficia agora de uma paisagem e de um ambiente renovado pelas águas “presas”do rio Guadiana, quase lhe lambendo os pés a refresca-la, tornando assim simultaneamente povoações, que antes penavam com a seca, serem hoje chamadas de “aldeias ribeirinhas”, com direito a cais, ancoradouro e desportos náuticos inclusive.

Monsaraz vê-se agora reflectida num enorme lago que evoca a lenda de Nossa Senhora da Lagoa, sua santa padroeira.
Entre muralhas e torreões de um castanho avermelhado, a vila com o seu casario secularmente branco, estende-se ao longo de antigas e estreitas ruelas, conservando a mesma beleza contrastante de sempre, indiferente ao passar do tempo, acentuando contrastes.

Pelas ameias vislumbram-se paisagens largas a perderem-se nos horizontes com a planície a espreguiçar-se, abraçando a sul, um dos maiores lagos artificiais da Europa.
Inaugurada em 2002 a barragem do Alqueva alterou decisivamente o mapa geográfico da região, avistando-se ao fundo, a enorme massa de água onde outrora milhares de hectares de terra desde sempre marcada pela escassez de água, ficaram submergidos com a subida do nível do rio Guadiana, que marca a fronteira de Portugal com Espanha.

A concentração de monumentos da fase megalítica na região é uma das maiores da Europa, característica que valoriza o património cultural, histórico e ambiental da Vila

Imensos vinhais ao lado de olivais milenares, aonde coabitam também belas e antigas casas dedicadas ao turismo de habitação rural, paredes meias com outra antiga ermita Templária, poupada à aquática invasão.

Recomenda-se uma atempada visita.


A.Fazendeiro


INAUGURAÇÃO
SEXTA-FEIRA, 22H00 MG

outubro 05, 2009

Incomodo?...


Estava eu, melhor dizendo, o meu avatar, a dançar, um dia destes, nesse mundo que muita gente ainda não compreende que se chama Second Life, com esta roupinha que podem ver, quando o meu par me questiona:

- Desculpa, não me leves a mal, mas queria pedir-te uma coisa.
- Diz..., retorqui curiosa.
- Queria pedir-te para mudares de blusa porque não gosto de ver as mamas...

Fiquei uns segundos estupefacta. Era a primeira vez, em dois anos e meio de SL, que me acontecia uma cena destas. Ainda julguei que ele (?) tivesse visão de raios X... Então retorqui serenamente (isto quer dizer, a teclar devagar):

- O que vês quando olhas para mim, não sou eu, são milhões de pixels. É o meu avatar. E assiste-me o direito de o vestir como quiser. Por isso, obrigada por esta dança.

E retirei-me.
Como me retiro, quando percebo que o meu avatar incomoda por alguma razão.
Afinal, eu até podia ser um homem...

setembro 23, 2009

Poema Melancólico a não sei que Mulher

Dei-te os dias, as horas e os minutos
Destes anos de vida que passaram;
Nos meus versos ficaram
Imagens que são máscaras anónimas
Do teu rosto proibido;
A fome insatisfeita que senti
Era de ti,
Fome do instinto que não foi ouvido.
 

Agora retrocedo, leio os versos,
Conto as desilusões no rol do coração,
Recordo o pesadelo dos desejos,
Olho o deserto humano desolado,
E pergunto porquê, por que razão
Nas dunas do teu peito o vento passa
Sem tropeçar na graça
Do mais leve sinal da minha mão...


Miguel Torga, in 'Diário VII'

setembro 16, 2009

Por Estrear


(um gostinho para adoçar a boca lá para dia 20 deste mês)

Just Breathe Lyrics from the Pearl Jam Album: Backspacer

Yes, I understand that every life must end, uh-huh
As we sit alone, I know someday we must go, uh-huh
Oh I'm a lucky man, to count on both hands the ones I love
Some folks just have one, yeah, others, they've got none

Stay with me...
Let's just breathe...

Practiced all my sins, never gonna let me win, uh-huh
Under everything, just another human being, uh-huh
I don't wanna hurt, there's so much in this world to make me believe

Stay with me
You're all I see...

Did I say that I need you?
Did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me

As I come clean...
I wonder everyday, as I look upon your face, uh-huh
Everything you gave
And nothing you would save, oh no

Nothing you would take
Everything you gave...

Did I say that I need you?
Oh, did I say that I want you?
Oh, if I didn't I'm a fool you see
No one knows this more than me
And I come clean, ah...

Nothing you would take
Everything you gave
Hold me til I die
Meet you on the other side...

setembro 12, 2009

Roseira Brava

... e tenham um bom fds (leia-se "fim-de-semana")



Ah, é verdade, as minhas "Cartas de Amor" já chegaram. E como recompensa de tão longa espera tive direito a portes grátis e a correio expresso! Uma gentileza da FNAC de Almada.
Poderei agora deleitar-me:

- Procurei por um dominador.
- Mas não te domino eu? - interroga Duncan.
- Não - respondeu ela. - Porque tu amas-me.
Um homem que domina é um homem que não ama. Tem uma tremenda vitalidade animal, uma força, capaz de conquistar. É um conquistador, as pessoas submetem-se-lhe, mas ele não ama ou compreende.
(p.23)


Ofereceram-me uma rosa escrita; não a de Hiroxima, que não era escrita, mas uma rosa que saiu do silêncio da noite. Não é dominadora, a rosa.
Gostei. É mesmo assim.
Continuo a devorar o livro. Não era isso que eu queria?

setembro 07, 2009

Sixpence None the Richer - Kiss Me (Sims 2)

A pedido de vários ouvintes apaixonados, que dedicam aos seus respectivos pares.




Kiss me out of the bearded barley
Nightly, beside the green, green grass
Swing, swing, swing the spinning step
You wear those shoes and I will wear that dress.

[Chorus:]
Oh, kiss me beneath the milky twilight
Lead me out on the moonlit floor
Lift your open hand
Strike up the band and make the fireflies dance
Silver moon's sparkling
So kiss me

Kiss me down by the broken tree house
Swing me upon its hanging tire
Bring, bring, bring your flowered hat
We'll take the trail marked on your father's map

setembro 06, 2009

Biblioteca Virtual Galega

Escolma

    Vim nas ondas do mar
    os cadaleitos da fame...

    escura flor

    nascida na sombra nocturna
    do cipreste.

    Nada,
    só o outro
    é eterno.

    Nom quero lume de espadas
    no mar mareiro
    nem sonhos bandeiras
    prenhados de terro.

    Ficarei longe dos estadulhos
    dourados dos deuses,
    ali, onde as cantigas
    traem ventura.

    Fiquei
    sozinho à beiramar
    das lembranças

    ...Além
    dos teixos
    e das palavras baleiras.

    Tenso o arco...

    ao pé da fonte
    dos pássaros tristes.



Corral Iglesias


Questiono-me:
até quando ficarão guardadas as memórias?
será que os pássaros as retêm?
e a água da fonte?
lava-as ou leva-as?
deixas-me o arco para quê?
o círculo está fechado.
vou voar.

setembro 02, 2009

Cartas de Amor


Estão "em trânsito" as minhas "Cartas de Amor de Henry Miller para Anais Nin".
Passo a explicar.
Encomendei a obra a 5 de Agosto, via net, na Worten, solicitando o seu envio para a loja X, no Norte, já que me encontrava ali de férias. Entretanto, indo à Worten dessa localidade, tomei conhecimento que o livro não chegaria a tempo para que o trouxesse comigo e dele aproveitasse a leitura durante a viagem de regresso. Assim, pedi que mo enviassem para a loja Y, mais perto da minha residência.
Quando ontem ia, feliz da vida, reclamar a minha encomenda, e após consulta ao sistema, sou informada que o meu livro, sim, tinha sido expedido dos armazéns online dia 7 de Agosto, e que eatava "em trânsito", nao podendo prever a sua chegada.

Primeiro nem quis acreditar: tinha esperado quase um mês para ler ansiosamente estas cartas de amor e voltava de mãos vazias? Depois lembrei-me que o meu país é Portugal e a estupfacção passou. Mas fiquei triste, ah, fiquei.

Por onde andará agora o meu livro? Estará já a caminho do sul? Será que, nestas delongas, já foi lido por algum curioso apaixonado que julgou ter encontrado uma maneira fácil de se declarar mais romanticamente à sua apaixonada? Ou vice-versa?
Será que se perdeu no nevoeiro do caminho? Será que ficou esquecido a um canto do camião que o transporta, tão pequeno e insignificante que parece ser?

Desespero pelo meu livro. Quero, exijo ler as "Cartas de Amor de Henry Miller para Anais Nin" antes que o Amor acabe. Em teu nome, EFE, que tens provado, tão longe e tão perto, como podemos ser livres dentro de quatro paredes, fechados apenas sobre os nossos segredos mais intimamente inconfessáveis.

agosto 30, 2009

Assim seja

Assim seja, Jasmim, como tu queres.
Persegues-me pela casa como se tomasses conta de mim.
Esperas-me à porta porque sei que sentiste a minha falta.
Sei que me escolheste, por isso eu também te escolhi a ti.
Velas o meu sono e eu sinto-me segura contigo a meu lado.
Obrigada, meu querido Jasmim. Ficaremos juntos para sempre.
Sim, para sempre. Não há outro conceito de tempo para mim.

agosto 25, 2009

O'Neill

A proposta de leitura que a Menina Marota colocou AQUI foi esta:


A meu favor
Tenho o verde secreto dos teus olhos
Algumas palavras de ódio algumas palavras de amor
O tapete que vai partir para o infinito
esta noite ou uma noite qualquer

A meu favor
As paredes que insultam devagar
Certo refúgio acima do murmúrio
Que da vida corrente teime em vir
O barco escondido pela folhagem
O jardim onde tudo recomeça.


(Poema de Alexandre O'Neill in "Rosa do Mundo- 2001 Poemas para o Futuro", pág.1635)


Não resisti a este belíssimo poema e comentei:

É isso mesmo que precisava encontrar agora:
"o jardim onde tudo recomeça".
E poder aí guardar a cor de uns olhos,
verdes ou não,
mas que fossem amêndoa
doce
no deserto.

agosto 23, 2009

GOLFINHOS - ROAZES DO SADO

A viagem terminava aqui. Já tinha visto golfinhos, já tinha estado muito mais perto deles, quase a tocar-lhes, mas esta viagem foi diferente.


A Bi, cadela mascote da Vertigem Azul, domina o espaço melhor do que ninguém e é uma companheira de viagem qual animadora sócio-cultural: também ela sabe saudar a tripulação dos barcos com que nos cruzamos. Nós acenamos, ela ladra!

Sem comentários...


Tivemos de esperar algum tempo até que os golfinhos resolvessem presentear-nos com a sua companhia.




Não sabemos por mais quanto tempo poderemos observá-los. O novo ferry para Tróia segue o mesmo percurso que eles, na viagem para o interior do rio.
Na zona onde eles pernoitam está a nascer uma marina desorganizada, sem qualquer controlo por parte das entidades competentes.
A marina do empreendimento turístico de Tróia tem barcos de grande porte e veleiros de todos os tamanhos.
As areias antes cheias de veraneantes de Setúbal, que se deslocavam para a praia a pé, no barco, estão vazias da gente pobre que labuta todos os dias e que agora, ou deixou de ir à praia, ou vai para a Figueirinha, que ficou repleta.
A sorte dos roazes do Sado será ditada pela suposta melhoria da qualidade de vida em Tróia e pela criação de alguns postos de trabalho.
Terá valido a pena?

Um obrigada à São que me acompanhou nesta antecipada viagem comemorativa das minhas cinquenta e duas primaveras. Vento no rosto, cabelos desalinhados e um azul que só existe aqui, num dia de sol e calor, num dia de contar apenas cada segundo, porque o futuro não interessa sabê-lo. Amanhã é sempre outro dia - que cliché mais gasto...

Rio Sado, 21 de Agosto de 2009

agosto 16, 2009

LIBERDADE DE PINTAR

Assim se chama este quadro de Vitória Biagiolli que descobri por mero acaso quando procurava uma imagem sobre o tema "pintar". E ainda bem que a descobri. Fiquei fã, tenho de lho dizer.
Eu também estou a pintar mas não é um quadro é uma mesa de cabeceira que aguardava por cuidados há anos e que hoje se sente muito feliz porque o seu dia chegou.

Estou a usar acrílico em pasta mas não gosto desta marca e não me lembro da outra, oh, não, que era em boiões. Continuam os blues e o Graça Moura não me sai da cabeça, o G.M. poeta, entenda-se, que não quero arranjar sarilhos a ninguém! Julgo ser um sinal para retomar alguma leitura sua, o que farei mais logo depois da sesta, oh, yeah.

Faço um intervalo para um café no Inter que está cheio de gente que não é daqui porque hoje é domingo, está calor, e todos querem ir para a praia menos eu. Mas a memória é traiçoeira, ai se é, e leva-me por caminhos sinuosos que não queria retomar agora mas paciência, não há como afugentar este pensar, oh, não, e acabo por ficar blue ao meio-dia de um domingo de verão.

Regresso a casa, não à pintura, mas a este diário de coisas sentidas. Uma catarse semi velada. Uma tentativa de me purgar.
Hoje será domingo?
Será que está mesmo calor lá fora?
Será que estou mesmo a pintar e só fui tomar um café ao Inter?
Poderei apagar o ficheiro de algumas memórias do meu disco rígido?
Que nome dar a esta sensação de vazio quando está tanta gente no supermercado a fazer compras para ir para a praia?
Ah, Vasco, tenho de te reler, oh yeah, e talvez enviar-te, por email, uma lágrima que me turva a visão do que há-de vir.

agosto 15, 2009

BLUES

Eu estava a ouvir blues porque hoje
acordei assim mesmo blue e saí para a rua
aberta aos passageiros do tempo, yes,
isso mesmo e cruzei-me com diversos
que me dizem estás bem oh yeah tens
óptimo aspecto. Continuava a ouvir blues
que me enchiam o vazio e achava que as
pessoas ou não viam bem ou não sabiam
ler os olhos que são o espelho da alma.

Um pouco de sombra colorida nas pálpebras
poderia tê-los enganado, sim, e verem o reflexo
do azul sulfato na minha boca que sorria.
Porque é bom, oh se é, dizerem-nos que estamos
bem ainda que as entranhas se emaranhem e se
sinta um enjoo aqui e além que não sabemos definir
mas que nos faz revirar o estômago, oh yeah.

Blues por blues fico com a música que enche
pequenos pedaços da casa e esqueço os passageiros
que me dizem tão bem de mim e eu sem saber.

Que venha a noite mais quente lavar-me a cara
oh, sim, e nem sombras nem sorrisos nem blues
para comentar.
Ficarei queda, muda, no canto onde a música
não chega a sentir as entranhas emaranhadas
e aquele vómito que se chama saudade, oh yeah,
do tempo em que os espaços estavam todos cheios
de uma coisa que se chama felicidade, oh,sim.


Nota: poema escrito a partir de "Blues pela morte de amor", de Vasco Graça Moura

agosto 11, 2009

Luar na Lubre