junho 30, 2010

Ao correr do pensamento

  • Entenda-se: este blogue não é o espaço de uma professora. É o espaço de uma cidadã que, por opção, decidiu ser professora há muitos anos atrás.
  • Há muita coisa que me provoca vómito. O destaque que se dá, nas notícias, ao desentendimento das comadres PS/PSD sobre as SCUT é um delas.
  • Não me admirava nada que passássemos a ser tratados pelo nosso número de cartão de cidadão. Afinal nós só somos números, e custos, e despesas... "Ó 24 mil e........!" Gostava tanto de ser um investimento... 
  • Há tempos fiz uma formação daquelas à pressão, com textos para ler à pressão e trabalhos para fazer também à pressão. Disseram-nos que não interessava se as coisas estavam bem ou mal feitas: era preciso era que fossem feitas. (...) Silêncio...
  • Vou ficar por aqui. Já estou mais enjoada...

junho 18, 2010

Saramago

Dulcineia

Quem tu és não importa, nem conheces
O sonho em que nasceu a tua face:
Cristal vazio e mudo.
Do sangue de Quixote te alimentas,
Da alma que nele morre é que recebes
A força de seres tudo.

 

José Saramago

junho 16, 2010

MEGA AGRUPAMENTOS

Recebi hoje este email. Vendo pelo mesmo preço, mas sei que é verdade. Não faço comentários. Cansei. Ando zangada com a escola... mas estou preocupada.

A bomba está prestes a explodir..o silêncio forçado ou não sobre o assunto é evidente, a comunicação social nada refere, os sindicatos parecem nem saber o que se passa, só o estrondo da explosão é que é capaz de abalar o sonambolismo que reina depois de algumas batalhas parcialmente conseguidas pelos sindicatos do reino da educação. O estrondo acordará os adormecidos mas será tarde demais.
Com o pretexto da poupança ou quem sabe por uma pequena vingança, porque para o governo os professores são a espinha cravada na garganta, vão surgir os Mega Agrupamentos, que levarão muitos professores e outros profissionais da educação para o desemprego.
É ainda um segredo dos deuses, mas muitos directores já estão a ser chamados às DRE`s (Direcções Regionais de Educação) para fazer a fusão de agrupamentos. O principio, segundo algumas vozes, é um Mega Agrupamento por concelho com alunos do 5º ano ao 12º ano. Podemos ter agrupamentos com 5.000 alunos e que as suas unidades de estabelecimento podem estar a dezenas de quilómetros. Com os Mega Agrupamentos vão surgir os Mega Departamentos, o que pressupõe que as reuniões de departamento podem ter 100 ou mais professores. Um professor passa a ter mobilidade no agrupamento e o seu horário será completo dentro do agrupamento onde as escolas podem estar a dezenas de quilómetros entre elas. Assistentes administrativos e assistentes operacionais que se cuidem também porque as coisas não são para ficar como estão, se assim fosse não se mexia.

A gestão actual tão defendida pelo governo do Director por escola/agrupamento tem 1 ano e já tem os dias contados, porque a fusão em Mega Agrupamentos vai originar só um Director por Mega Agrupamento.

Enquanto estamos entretidos com o Mourinho e com o campeonato do mundo de futebol, vamos descurando as guardas e os vampiros com o silêncio das vozes vão fazendo das suas.


Agostinho Silva

junho 09, 2010

junho 08, 2010

  •  Só por mera curiosidade, informo que a estreia da peça I Wanna Be Uploaded foi um sucesso e que foi a primeira vez que se fez teatro português em espaço português, no SL. Só para os interessados, claro...
  • Aconteceu em Setúbal. Uma cadela foi atropelada e ali ficou horas até que fosse socorrida pelas habituais almas caridosas. Quem nunca a abandonou foi este fiel amigo, não se sabe se recente, se de longa data, que permaneceu sempre a seu lado...



junho 06, 2010

I WANNA BE UPLOADED

Estreia hoje à noite, no SL (Second Life), mais precisamente no teatro do Portugal Business, a peça de teatro I WANNA BE UPLOADED.
A peça foi escrita, produzida e levada à cena por nekos (entenda-se por bonecos) que andam uns contra os outros (aqui é suposto entenderem a minha ironia...).



E, na verdade, isso pode acontecer quando há mais lag (entenda-se por lag uma situação de turbulência técnica que nem sempre nos permite realizar as acções que pretendemos). Eu que o diga! Já uma vez saí disparada, palco afora, e fui aterrar no meio do público que assistia ao ensaio... Mas a culpa não foi dos meus comandos, foi do lag...
Ora uma experiência destas só pode acontecer no SL e esta constatação leva-me a uma outra, que é o facto de ser tão diferente fazer teatro no SL e na RL (Real Life - Vida Real). Sempre me podem dizer que não precisamos de decorar o texto. Verdade. O que não significa que tenha de se estudar, de tratar do guarda-roupa, de saber as entradas e a movimentação. Que não se cuide o cenário, o som, os adereços. 

Cada avatar situa-se num espaço geográfico RL diferente, já que podem estar a centenas de quilómetros de distância, estando, ao mesmo tempo, ali e agora.
E depois há outra vantagem: não há desemprego. E divertímo-nos à brava! As relações interpessoais que se estabelecem entre os intervenientes ficam reforçadas e novas amizades nascem.

COORDENADAS: Portugal Center, 221, 112, 25
e... aguardem pelas pancadas de Moliére 


junho 03, 2010

Talvez muitas pessoas não saibam que Miguel Torga, quando ainda era um ilustre desconhecido, viu o seu trabalho rejeitado por algumas editoras de então. Decidiu-se, assim, pelas publicações de autor, em edições meio rústicas, de capa branca, que fizeram dele um dos maiores nomes da nossa literatura.
Quando, anos mais tarde, as mesmas editoras que o haviam ignorado quiseram publicar a sua obra, Torga, o digno Torga mandou-os a todos às favas!

(Não sei por que razão me fui lembrar agora deste episódio...)

maio 29, 2010

maio 26, 2010

Pituxa e filhotes

Olá, lembram-se de mim? Sou a Pituxa e fui mãe há pouco tempo. Duas filhotas já têm casa nova. Estes ainda me consomem... só querem mama, seja em que sítio for...
O único macho é todo preto. As outras são meninas, mas todos muito bem comportados.
Haverá por aí alguém que os queira adoptar? Eu agradecia...

maio 24, 2010

Sem palavras!...

Alguém me sabe responder?

Começo a semana com coisas do real.
Recebo o meu vencimento através de uma instituição bancária de nome X, mas a minha conta está numa de nome Y. Logo, há sempre um dia de diferença entre a data em que recebo e aquela em que tenho esse vencimento disponível.
Quando me pagam à sexta-feira só na segunda seguinte é que vejo a cor do meu dinheiro. Isto se não houver um feriado à segunda, ou, na mesma circunstância, à sexta.
Logo, estou dois dias sem saber quem está a usufruir dos meus euros, tudo isto porque esses mesmos dias são considerados inúteis para as instituições bancárias.
O mesmo sucede com milhões de portugueses.
Pergunto: quem usufrui do meu vencimento durante esses dois dias? O banco X ou o Y? Ou essa verba fica em algum sítio chamado limbo, a render por conta dos pecados que terei de pagar quando me encontrar face a face com o criador?
Por acaso alguém me sabe responder? É que eu já fiz esta pergunta ao Banco de Portugal e acreditem: a resposta não me esclareceu...
E eu só quero saber para quem vão os juros de dois dias de um dinheiro que é meu...
Será que, internamente, os bancos também têm dias inúteis?

maio 18, 2010

Sem Comentários...

Os serviços da Assembleia da República orçamentaram em 380 mil euros a construção de uma assoalhada de 29 metros quadrados em metal e vidro para acolher os deputados fumadores.

O valor causou indignação e perplexidade, o que é compreensível se pensarmos que pelo mesmo preço seria possível comprar um T2 a estrear na Lapa com garagem.

Não sejamos, todavia, precipitados. Se, por um lado, a sala de fumo da Assembleia se candidata à construção mais cara de Lisboa (13 mil euros o metro quadrado), por outro, o fumódromo parlamentar estará "amortizado" ao fim de quase quatro milhões de cigarros fumados, o que dá uma média de 17 mil cigarros por deputado. Um tema interessante para uma comissão parlamentar.

maio 16, 2010

O partido tal

Quando, uma vez, questionaram Jerónimo de Sousa sobre como lidava com o facto de apelidarem os comunistas de pessoas que comiam criancinhas ao pequeno almoço, ele sorriu e comentou que, de facto, comia, sim, de beijos os seus netos.

Um dia destes decorria uma reunião de trabalho e uma colega lia em voz alta um documento. Aí eram referidas algumas siglas, uma delas, curiosamente, designada por PCP, mas não em contexto político, como é óbvio numa reunião relativa a questões de Língua Portuguesa. A minha colega, olhava para mim e acrescentava, “Teresa, esta é para ti!”, em jeito carinhoso de me provocar, sabendo, como muita gente sabe, que sou militante do partido que, por acaso, tem a mesma sigla que ali se referia.

Uma segunda colega, desconhecendo o contexto da brincadeira, diz a certa altura, “Cruzes!”, como que querendo acrescentar qualquer coisa do tipo, vai de retro, Satanás! Claro que esta minha colega pertencia ao grupo que não sabia que eu sou militante do dito cujo partido, do que come criancinhas… Vai daí, não resisti e disparei em tom de brincadeira, para a primeira colega, “Oh, Maria, pronto, escusas de estar a lembrar a todos que sou vermelha, porque já todos sabem!”
Um breve silêncio. A atrapalhação da segunda colega. A minha satisfação.

Não, não tenho um valente historial de actividade partidária. Não me posso gabar de ter estado em tal sítio no ano de tal, em ter ido ao comício tal onde estava presente fulano de tal. Não faço parte desse grupo. Mas nasci com esta maneira de ver as coisas que me faz militar, hoje sim, no tal partido e continuar a ver as coisas da vida como via já em criança. Ao contrário de algumas pessoas, fulanos de tal, que tanto se gabaram e que agora nem são nem “tal”, nem “talvez”…

maio 13, 2010

Di-vagando

Questiono-me:
até quando ficarão guardadas as memórias?
será que os pássaros as retêm?
e a água da fonte?
lava-as ou leva-as?
deixas-me o arco para quê?
o círculo está fechado.
vou voar.

maio 12, 2010

Haja alegria!

Recebi hoje este vídeo através de uma mensagem. Não sei a data, mas acho que esse pormenor não é relevante.


Haja alegria!... Até que o povo resolva sair à rua, como diz aquela canção...

maio 09, 2010

Gatinhos

A Pituxa andava pela minha escola como pela casa dela, que era o recreio e os miminhos de algumas pessoas que lhe davam de comer e a acarinhavam. Como boa gata da vida que se preze, arranjou namorados e ficou prenhe... Vai daí, como boas samaritanas, juntámo-nos quatro amigas e colegas de trabalho e conferenciámos sobre o seu futuro. A minha casa serviria de berçário, ou não estivesse já tão habituada a estas andanças. E assim foi. Nasceram cinco lindos gatinhos que é preciso dar a quem merece. Duas já foram, resta um macho todo preto e que ninguém quer não sei porquê, e duas gatinhas. Eles aí estão. Oferecem-se a quem provar ser digno deles.


maio 04, 2010

Dinis Mota

Estava a observar o escaparate de publicações da biblioteca da minha escola quando uma gravura me chamou a atenção. Olhei para aquele desenho na capa da Noesis e achei que já tinha visto aquele traço em algum lugar. Peguei na revista e fui à procura do ilustrador. Et voilá!... o mistério desvendou-se ao ver o nome de Dinis Mota.

 

Conheci o trabalho do ilustrador quando, um dia, ele visitou esta Península e me deixou um comentário. Desde esse dia temos trocado visitas e delicadezas, e eu até estou em dívida para com ele, já que prometi uma história a partir de um desenho seu e até agora...
A verdade é que entrar no espaço de Dinis Mota é uma viagem ao imaginário. Mas uma viagem serena, tranquila, que fazemos sentados num tapete voador e sobre a qual temos a impressão de não ter fim. Tal como uma never ending story...
Obrigada, Dinis, por essas ilustrações tão belas...

maio 03, 2010

O meu guarda-costas...

abril 29, 2010

Romance ingénuo de duas linhas paralelas

Duas linhas paralelas
muito paralelamente
iam passando entre estrelas
fazendo o que estava escrito:
caminhando eternamente
de infinito a infinito.
Seguiam-se passo a passo
exactas e sempre a par
pois só num ponto do espaço
que ninguém sabe onde é
se podiam encontrar
falar e tomar café.
Mas farta de andar sozinha
uma delas certo dia
voltou-se para a outra linha
sorriu-lhe e disse-lhe assim:
«Deixa lá a geometria
e anda aqui para o pé de mim...»
Diz a outra: « Nem pensar!
Mas que falta de respeito!
se quisermos lá chegar
temos de ir devagarinho
andando sempre a direito
cada qual no seu caminho!»
Não se dando por achada
fica na sua a primeira
e sorrindo amalandrada
pela calada, sem um grito
deita a mãozinha matreira
puxa para si o infinito.


E com ele ali à frente
as duas a murmurar
olharam-se docemente
e sem fazerem perguntas
puseram-se a namorar
seguiram as duas juntas.
Assim nestas poucas linhas
fica uma estória banal
com linhas e entrelinhas,
e uma moral convergente:
o infinito afinal
fica aqui ao pé da gente.


José Fanha

abril 25, 2010

ERA UM POEMA


Era um poema de mãos abertas
que rompeu em uma manhã
claro dia e carros a subir as ruas

a festa na cidade nas praças de
cal branca e luminosa
no ar quente daquele dia
e era um poema
e era um dia
e eram flores sobre os rios

alguém gritou que só as águas
correm para o peito
vermelhas
como um poema aberto
em mãos abertas
oferecendo a liberdade

e era um rio   era o campo   era uma cidade
uma praça virada ao sol
e era este poema
nas tuas mãos escrito
abertas à manhã clara
da liberdade.

Nota: imagem composta a partir de fotografias não identificadas