abril 08, 2011

Rio Sado - o interior desconhecido

abril 01, 2011

far away in the west

fotografia em ambiente digital | TL

março 21, 2011

under the sea foam

março 13, 2011

A Lua da Mati


março 08, 2011

De uma mulher, para todas as mulheres

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram
flores novas na terra do jardim, quero dizer
que estás bonita.

entro na casa, entro no quarto, abro o armário, abro
uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio
de ouro.

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como
se tocasse a pele do teu pescoço.

há o ceu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim.

estás tão bonita hoje.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

estás dentro de algo que está dentro de todas as
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever
a beleza.

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios.

de encontro ao silêncio, dentro do mundo,
estás tão bonita é aquilo que quero dizer.

José Luís Peixoto

março 01, 2011

Teresa Lobato | Monte da Fraga, Mora

janeiro 15, 2011

In The Company of God

Tive, recentemente, oportunidade de conhecer com mais atenção algumas das fotografias de João Silva. Impossível ficar indiferente. Sensibilidade e precisão, aparente frieza e um olhar atento sobre "aquele" momento, misturam-se e fixam imagens de rara beleza.

Considerado por alguns como o melhor repórter fotográfico de guerra da atualidade, João Silva foi vítima, em outubro de 2010, de um acidente que lhe provocou graves ferimentos, quando seguia um grupo de soldados, no Afeganistão, a serviço do New York Times.

João Silva nasce em Lisboa, em 1966. Ainda jovem vai para Moçambique e mais tarde para a África do Sul, onde integra como fotógrafo profissional, em 1991, o jornal The Star.
O seu trabalho como fotógrafo de guerra começa a chamar a atenção quando faz a cobertura violenta da luta que se seguiu ao fim do apartheid.
Juntamente com Kevin Carter, Ken Oosterbroek (estes já falecidos) e Grey Marinovich forma aquele que ficou conhecido pelo Bang Bang Club. Em parceria com este último publica, em 2005, o livro In The Company of God, publicado na África do Sul e traduzido no Brasil e outros países latino-americanos.
Em Portugal, expõe Pesadelo, numa organização das galerias do Jornal de Notícias e do Diário de Notícias, em 2008, no Porto e em Lisboa.

João Silva encontra-se num hospital, em Washington D.C., a recuperar, com a mesma força de vontade com que, mesmo depois de ferido, continuou a disparar...
Há homens assim.




dezembro 29, 2010

O cheiro da memória

Hoje já não faço árvores de Natal. Guardo-as na memória. Como guardei o cheiro da caixinha de pó-de-arroz que a minha mãe guardava na gaveta de cima da cómoda. Pertença da minha avó, aquele cheiro continha memórias de família de um tempo que não conheci. Era uma herança. E quando a abria todas as coisas boas da minha infância saltavam cá para fora e preenchiam o espaço agora vazio.

As lembranças têm cheiros e têm imagens. Como aquela à luz da noite que acabara de cair, ainda inverno, e um projecto de paixão que não passou de um toque de beijo partilhado na ombreira da porta, o seu primeiro beijo de amor, que se prolongou no tempo por mais de trinta anos. Tinha o sabor da ternura e do mel e do fruto proibido, porque o destino que fazemos assim o quis.

Às vezes o tempo enche-nos com memórias destas que nos confirmam que o próprio tempo não tem tempo e pode acontecer hoje. E somos felizes, à luz da vida, em qualquer lugar do entardecer.

dezembro 23, 2010

... e Paz na Terra aos Homens de boa vontade.


[fotografia em ambiente virtual - MTL]

dezembro 11, 2010

Nas arcadas, a urbe
que ainda dorme.
de nascente chega o oiro
da luz. desperta o relógio
da torre que adianta
os passos dos
transeuntes, pequenos seres
de corda.
Posso beber um café e uma
incerteza: não sei se vá
não sei se fique.
Pura dormência do outono
e do perfume a castanhas
que há-de vir.


Teresa Lobato, inédito

dezembro 04, 2010

No frio deste Outono...

Uma pequenina luz bruxuleante
não na distância brilhando no extremo da estrada
aqui no meio de nós e a multidão em volta
une toute petite lumière
just a little light
una picolla...
em todas as línguas do mundo

uma pequena luz bruxuleante
brilhando incerta mas brilhando
aqui no meio de nós
entre o bafo quente da multidão
a ventania dos cerros e a brisa dos mares
e o sopro azedo dos que a não vêem
só a adivinham e raivosamente assopram.
Uma pequena luzque vacila exacta
que bruxuleia firme
que não ilumina apenas brilha.
Chamaram-lhe voz ouviram-na e é muda.
Muda como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Brilhando indefectível.
Silenciosa não crepita
não consome não custa dinheiro.
Não é ela que custa dinheiro.
Não aquece também os que de frio se juntam.
Não ilumina também os rostos que se curvam.
Apenas brilha bruxuleia ondeia
indefectível próxima dourada.
Tudo é incerto ou falso ou violento: brilha.
Tudo é terror vaidade orgulho teimosia: brilha.
Tudo é pensamento realidade sensação saber: brilha.
Tudo é treva ou claridade contra a mesma treva: brilha.

Desde sempre ou desde nunca para sempre ou não:brilha.
Uma pequenina luz bruxuleante e muda
como a exactidão como a firmeza
como a justiça.
Apenas como elas.
Mas brilha. Não na distância. Aqui no meio de nós.

Brilha.


Jorge de Sena, Fidelidade (1958) Moraes, Lisboa

novembro 22, 2010

novembro 19, 2010

A Noite e o Dia



Às vezes queria ser gato... e dormir, dormir, dormir. E quando acordasse ter a minha dona em casa, e ir roçar-me nas suas pernas, e fazer rom-rom, e achar que a vida era assim, uma coisa tão simples, entre um sono... e outro.

novembro 14, 2010

Purificação


Quem quiser pode perder o tempo
numa qualquer ilha em branca cor assumida: 
só nos tronos do sul se encontra a luz
(o branco claro da roupa estendida)
um círculo vazio de onde emergem
os sons da terra profunda e fértil.

Quem quiser pode também prosseguir
outros mundos, reinos frágeis onde
se torna impossível sequer tocar os
cálices do vinho doce, espremido pelos
pés cansados. Mansos.
E o cheiro da cinza lavada nas tuas mãos de água.

Dizem-me que era de luz a espada
a espada que o guerreiro ergueu
e que da pedra lavrada
água límpida brotou, não sangue.
Para nos servirmos
para nos banharmos.

Purificados ficarão teus pés.
E a Alma que os circunda.

Teresa Lobato (inédito)

novembro 13, 2010

Gloredel


Viagem

É o vento que me leva.
O vento lusitano.
É este sopro humano
Universal
Que enfuna a inquietação de Portugal.
É esta fúria de loucura mansa
Que tudo alcança
Sem alcançar.
Que vai de céu em céu,
De mar em mar,
Até nunca chegar.
E esta tentação de me encontrar
Mais rico de amargura
Nas pausas da ventura
De me procurar...

Miguel Torga

novembro 09, 2010

O Poema da minha Vida

Aconteceu no SL mais uma noite de poesia. Por detrás dos avatares as vozes reais. A tentativa de visualizar aquele boneco através dos sons que saíam pelo microfone. Os poemas das nossas vidas. Muitos. A linda espaço do joaoluis e da ana. E alguma paz na inquietação dos dias.





Pássaros  Brancos

Quem me dera que fôssemos, amor, pássaros brancos sobre a espuma do mar!
Cansamo-nos da chama do meteoro antes de ele fugir e se extinguir;
E a chama da estrela azul do crepúsculo, suspensa sobre a orla do céu, despertou nos nossos corações , amor,
uma tristeza que não pode morrer
Humedecida de orvalho chega uma lassitude daqueles que sonharam o lírio e a rosa;
Oh, não sonhes com eles, amor, a chama do meteoro que passa, ou a chama da estrela azul
que se detém suspensa na queda do orvalho,
Pois quem me dera que nos tornássemos pássaros brancos sobre a espuma errante: eu e tu!
Estou assombrado por inúmeras ilhas e muitas praias de Danaan
onde o tempo certamente nos esqueceria e a tristeza não mais se aproximaria de nós;
Em breve estaríamos longe da rosa e do lírio e seríamos consumidos pelas chamas,
Se ao menos fôssemos pássaros brancos, amor, flutuando na espuma do mar!                

William Butler Yeats       


novembro 06, 2010

PENSAMENTO (NÃO SEI DE QUEM) PARA REFLECTIR DURANTE O FIM DE SEMANA... (NÃO SEI SE O TEMPO SERÁ SUFICIENTE...)


O trabalho fascina-me tanto que, às vezes, fico horas parado só a pensar nele...

outubro 25, 2010


O destino dos animais é muito mais importante para mim do que o medo de parecer ridículo. (Émile Zola)

Esta imagem chegou-me através da Bianca, uma associação de protecção de animais de Sesimbra. Curiosamente, o número de animais de raça abandonados têm vindo a aumentar.  E o problema não é apenas de abandono, mas também de maus tratos. Sem comentários.

DENUNCIE MAUS TRATOS A ANIMAIS AQUI
SEPNA - Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente
808200520 / 961195298

outubro 16, 2010

Tendo tomado conhecimento da resolução do governo de extinguir e integrar na Biblioteca Nacional o Instituto Nacional do Livro e das Bibliotecas deixo aqui esta ligação com votos de boa navegação.

setembro 28, 2010

IBBY


The International Board on Books for Young People (IBBY) is a non-profit organization which represents an international network of people from all over the world who are committed to bringing books and children together.

A IBBY é uma organização internacional sem fins lucrativos que conjuga um trabalho em rede de pessoas espalhadas pelo mundo cujo compromisso é unir livros e crianças.