agosto 14, 2010

É de lá que eu sou

A memória não me é totalmente fiel. Recordo parte de um poema, de um transmontano, o Professor e escritor Nelson Vilela, que reza assim:

Não sou daqui. 
...
Sou de terras
Onde Deus, sem mar,
Inventou mastros e caravelas
E onde pedras e estrelas dormem à mesma altura.

É de lá que eu sou.
De serras que rios cortam às tiras
E orgulho tenho de nascer assim.

Podem rufar tambores, arraiais e viras,
É de lá que eu sou
Foi de lá que vim.

Não sou transmontana. Sou minhota de nascença e vi criar o Parque Nacional Peneda-Gerês. Vi lobos em liberdade, andei pela neve em caminhos onde o nevoeiro nos comia, passeei por matas onde o céu não se vê, milenares, subi ao pico de serras de onde o olhar se perdia. E pensava, meu Deus, que ordem é esta que cria uma Natureza tão bela? E apetecia ficar ali. Eternamente.

Por isso o meu peito fica apertado com as imagens e notícias sobre os incêndios. E fico sem palavras. Como se as estrelas se afastassem de mim e tornasse impossível tocá-las, como já toquei um dia.



3 comentários:

Manuel Cardoso disse...

Eu vi.
Hoje.
Estou triste e revoltado.

laurinda disse...

Olá, Teresa!
É tão revoltante!
O que estão os soldados a fazer nos quartéis?
Haverá pior inimigo da nação?
Como está a "asa"? melhor? Espero que sim!
Um beijinho
Laur

tsiwari disse...

Entendo-te. A negritude dos ares, envolvendo a paisagem, instala-se na alma...


:)**